Circuito Nacional de Tênis Masculino – Campos do Jordão outubro 2017

Por Flávio Berto 31/10/2017

24/10/2017 a 29/10/2017

Pontuação
Campeão: 140 pontos
Vice-campeão: 120 pontos
SF: 80 pontos
QF: 60 pontos
Oitavas de final: 40 pontos
Primeira rodada: 20 pontos

Premiação
Campeão: R$ 4.000,00
Vice-campeão: R$ 2.000,00
Semifinalistas: R$ 1.000,00
Quadrifinalistas: R$ 250,00
Oitavas: R$ 125,00

Cabeças de Chave
1º Ricardo Hocevar
2º Igor Ribeiro Marcondes
3º Carlos Eduardo A. Severino
4º Andre Miele
5º Alexandre Tsuyoshi Tsuchiya
6º Alex Blumenberg
7º Gabriel Ciro Da Silva
8º Gabriel Pascotto Tumasonis

Links
http://www.cbt-tenis.com.br/profissional.php?pag=torneios
http://www.tenisintegrado.com.br/torneio_painel_jogo/index/9445
http://www.tenisintegrado.com.br/torneio_painel_jogo/printer

 

O Torneio

Realizada na turística cidade de Campos do Jordão, nas quadras duras do Campos do Jordão Tênis Clube, um lugar com muito verde, ar puro e belas paisagens, a etapa reuniu vários dos bons nomes do tênis nacional, com destaques para os veteranos Ricardo Hocevar (32 anos), que já foi o número 149 do ranking da ATP, e André Miele (30 anos), que já foi o número 229, os experientes Alexandre Tsuchiya (24 anos), cujo melhor ranking na ATP foi o número 649 e Alex Blumenberg (25 anos), que já ocupou o número 656 da ATP, além das novas promessas como o canhoto Igor Marcondes, de apenas 20 anos, que já chegou a ocupar o número 704 no ranking da ATP.

Concluído o Qualifying em 25/10, a primeira rodada teve início em 26/10, oitavas e quartas de final ocorreram em rodada dupla no dia 27/10, as semis no sábado e a final no domingo, dia 29/10.

Além dos bons jogos ocorridos, destaque para a postura ética e respeitosa dos participantes durante as partidas, haja vista que não havia presença de árbitro de cadeira ou juízes de linha. As marcações eram feitas pelos próprios jogadores, com raríssimos casos de reclamações. Deve-se ressaltar ainda que devido à altitude de 1.700 metros e às quadras de piso duro, a velocidade da bola ficava acima da média, dificultando as marcações em casos de muita proximidade com as linhas. Mesmo assim, prevaleceu o respeito mútuo entre os adversários, como se espera nas práticas esportivas.

Primeira Rodada

Com programação em quatro das seis quadras do Tênis Clube, foi possível acompanhar um bom número de jogos.

Destaque para a vitória de Ricardo Hocevar sobre o jovem Joseph Tenório, por 6/2 6/1. Ricardo fez valer sua maior experiência, controlando bem a partida e dando poucas chances ao seu adversário.

Outro jogo interessante foi o duelo de estilos entre o experiente Alex Blumenberg e o jovem Ricardo Colnaghi. Alex, conhecido pelo saque poderoso e a potência dos golpes de base, principalmente no forehand, precisou de poucos games para marcar o jogo de saque e voleio do jovem Ricardo, fechando a partida em 6/2 e 6/0. Contudo, uma contusão surgida ao sacar no quinto game do primeiro acabou pondo em cheque sua continuação no torneio.

Ainda foi possível assistir a um dos últimos jogos da rodada entre os jovens Matheus Queiroz e Asdrubal Neto, vencido pelo primeiro por 3/6, 6/2 e 6/2. Queiroz manteve bom ritmo a partir do segundo set, enquanto Asdrubal pareceu sentir um incômodo físico da segunda parcial em diante. Matheus manteve-se firme em seu ritmo e fechou a partida no terceiro set.

Rodada Dupla: Oitavas e Quartas de Final

Realizadas na sexta-feira, essas duas fases apresentaram jogos de ótimo nível técnico e boas disputas. Nas oitavas, destaque para as seguintes partidas:

No duelo de gerações entre Ricardo Hocevar e o jovem Angelo Tost, vitória de Ricardo por 6/7, 6/0 e 6/3. Angelo sacou muito bem durante todo o primeiro set, apresentando também ótimos golpes de forehand e backhand da linha de base, culminando por finalizar o set no tiebreak. Para o segundo set, Hocevar colocou em jogo toda sua experiência, quebrou o ritmo veloz do primeiro set com slices, bolas sem peso, serviços com maior variação e subidas à rede para surpreender o adversário, dominando totalmente a parcial. No set decisivo, prevaleceu a maior consistência de jogo de Hocevar, que errou menos e fechou a partida.

André Miele e Vitor Pinheiro fizeram um belo jogo, com vitória de André por duplo 6/2. Pesou contra Pinheiro o longo tempo de inatividade em competições, que acabou por influenciar principalmente no número de erros em seu jogo. Por outro lado, Miele sacou muito bem durante toda a partida, mostrando uma consistência impressionante e grande poder de defesa, sempre colocando uma bola a mais para o adversário bater.

Alexandre Tsuchiya fez uma partida praticamente impecável contra o jovem Rafael Tosetto, que esteve acompanhado pelo seu treinador, o conhecido tenista Fernando Roese, que já foi o 92º da ATP em seus tempos de profissional. Tsuchiya serviu muito bem o jogo inteiro e não deu uma chance de break point sequer ao jovem Tosetto, que também fez uma boa partida, porém foi superado pela experiência do adversário.

Nas quartas, realizadas na parte da tarde, tivemos os seguintes destaques:

André Miele manteve o bom nível de jogo das outras fases, continuou sacando muito bem e se mostrou muito sólido no fundo de quadra, derrotando o jovem canhoto Gabriel Tumasonis, dono de um belo forehand. A vitória foi consolidada em sets diretos, 6/3 e 6/2, com destaque para o duelo do forehand canhoto de Gabriel com o ótimo slice de backhand de Miele.

O jovem Gustavo Cruz, companheiro de treinos de Igor Marcondes em São José dos Campos, fez um duelo de alto nível contra Alexandre Tshchiya, principalmente no primeiro set, com ambos alternando-se na dominância do placar, finalizado em um tiebreak emocionante que poderia ter ido para qualquer um dos dois. No segundo set, Alexandre sentiu uma contusão e não conseguiu mais acompanhar o ritmo imposto por Cruz, desistindo antes do final da partida, por 7/6(5) e 3/0.
Na última partida do dia, o cabeça de chave 2, Igor Marcondes, jovem promessa do tênis brasileiro, dominou sua partida contra o xará Ighor Reis, mostrando um jogo firme como na partida das oitavas, com destaque para o serviço e os potentes golpes de fundo de quadra, além de variações com drop shots e subidas à rede. Reis teve bons momentos no jogo, mas não foi o suficiente para igualar as ações, culminando com a vitória de Marcondes por duplo 6/2.

Semifinais

O desenho das chaves permitiu que a final se tornasse um duelo de gerações, ficando os veteranos Hocevar e Miele na chave de cima e os amigos Cruz e Marcondes na chave de baixo.

A primeira partida foi a da nova geração, marcada firmemente pela questão emocional por se tratar de um duelo entre amigos que, entre outras coisas, treinam juntos. A vitória de Igor Marcondes por duplo 6/3 espelhou aquele pouquinho a mais que ele possui atualmente em seu jogo em relação ao adversário, pequenos detalhes de consistência e maior experiência que fazem a diferença em jogos muito parelhos e acabam por definir o resultado para um dos lados.

Na segunda semi, entre os dois veteranos, o retrato do que havia sido a atuação de ambos ao longo torneio se fez presente novamente. Miele, que provavelmente foi o tenista que se apresentou de forma melhor e mais consistente em todas as fases, voltou a jogar muito bem, principalmente no saque e solidez do jogo de fundo. Hocevar, que fez um torneio com mais oscilações em suas partidas, dessa vez não conseguiu colocar em prática sua vasta experiência de tenista, cujo histórico aponta participação nos quatro Slams do circuito tenístico. Errando pouco, servindo muito bem e jogando os pontos decisivos de forma muito positiva, Miele garantiu sua passagem para a final com duplo 6/4, em partida de altíssimo nível técnico e tático.

Final

A expectativa para o jogo de encerramento do torneio era alta. De um lado, um jogador tarimbado que apresentou o tênis mais consistente durante a semana, sacando muito bem, muito sólido de fundo e aproveitando bem as oportunidades que cada partida lhe ofereceu, enquanto do outro uma jovem promessa do tênis nacional, com golpes potentes da linha de base, boa leitura e variação de jogo, com bela trajetória desde a primeira rodada, promessa de jogo bem parelho.

No primeiro set, contudo, o início mostrou André Miele muito firme e Igor Marcondes um tanto quanto hesitante. Miele começou sacando, fez 15×0, 15 iguais, 30, 40 e fechou rapidamente o game. Igor não começou bem no saque, cometeu vários erros e foi quebrado logo de cara. Miele abriu 3/0 facilmente, em seguida. Após a troca de lado, Igor voltou jogando melhor, mas ainda assim teve seu serviço novamente quebrado, 4/0. No game seguinte, finalmente o canhoto de São José dos Campos começou a se soltar e chegou a abrir 15×40, mas Miele mostrou porque chegou tão bem à final, sacou muito bem e levantou o game, fazendo 5/0. Nesse momento, aquela diferença inicial da partida já tinha sumido e o jogo ficou bem parelho. Finalmente Marcondes confirmou seu serviço e em seguida conseguiu devolver a primeira quebra, fazendo 2/5, criando a expectativa de disputa ainda na primeira parcial. Porém, após a troca, Miele voltou a jogar muito bem, quebrou pela terceira vez o serviço do jovem canhoto e fechou o set em 6/2.

No segundo set, com ambos jogando em níveis semelhantes, Igor começou a se impor logo de cara, aproveitando uma queda na qualidade do serviço de Miele, para quebrar e abrir 1/0. Mudança de lado, Igor sacou muito bem e fechou rapidamente em 2/0, levantando a torcida que, em sua maioria, estava com ele, principalmente devido à proximidade entre São José e Campos do Jordão. Na sequência, Miele voltou a servir com precisão e diminuiu para 1/2. A expectativa de reviravolta no panorama do primeiro set logo foi se esvaindo com a devolução de quebra, empatando o set em 2/2, e a confirmação da quebra por parte de Miele, fazendo 3/2. Novamente o jogo do jovem canhoto baixou, sendo quebrado de zero, mais a confirmação do serviço de Miele, que abriu 5/2 e ficou a um game do título. Na volta do intervalo, Igor mudou um pouco o jeito de jogar, passou a trocar mais bolas, começou a usar mais o slice e parou de dar pontos de graça. Fechou o game, fazendo 3/5, e deixou a responsabilidade de fechar o jogo com o adversário, que sacaria em seguida. Como reza a lenda, fechar o jogo geralmente é bem complicado. André começou a sentir a pressão, perdeu precisão no ataque, as bolas começaram a ficar curtas e os erros foram se sucedendo, até que Igor finalmente quebrou o seu saque, fazendo 4/5. A partir daí a partida pegou fogo, Igor conseguiu empatar em 5/5 rapidamente e entrou com tudo no game decisivo. Chegou a abrir 15×30, com Miele nitidamente sentindo a pressão, quando uma manifestação inoportuna de um torcedor acabou paralisando o jogo por alguns instantes. A parada surtiu efeito favorável para Miele, que estava em situação complicada e voltou jogando melhor, levantando o game que parecia perdido, fazendo 6/5. Game decisivo, Igor pareceu ter sentido um pouco a paralisação do game anterior, perdeu um pouco do foco, mas manteve-se firme, salvando três match points, porém na quarta vez acabou cometendo um erro não forçado num backhand que ficou na rede, decretando o final da partida. Vitória de André Miele por 6/2 e 7/5.

Com exceção dos três primeiros games do primeiro set, a partida foi muito interessante, com o típico nervosismo de uma final e a tradicional gangorra mental, cada vez pendendo para um lado. Miele não sacou tão bem quanto no resto do torneio, mas encontrou nos slices de backhand uma bola que incomodou bastante ao canhoto de São José, principalmente nas paralelas em cima do backhand de duas mãos de Igor, que pareceu sentir bastante dificuldades com essa bola, fazendo muito erros nesse golpe ao longo da partida. Em contrapartida, assim que controlou melhor a parte mental, Igor demonstrou um jogo de muita potência nos golpes de fundo, tanto no forehand como no backhand, apresentou variações interessantes como o uso das curtinhas, haja vista que Miele jogava bem atrás da linha de base. Usou também de saque e voleio para surpreender o adversário, geralmente sacando fechado no lado do iguais e aberto na vantagem, aproveitando o fato de Miele ser destro. Faltou um pouco mais de acerto de primeiro serviço para a tática apresentar melhores resultados, mas conseguiu bons pontos assim. Outro ponto interessante foi o duelo de cruzadas, em que Miele variava os golpes entre slices e batidas chapadas bem fundas, enquanto Igor colocava bastante potência nesse golpe, não raro conseguindo bons winners. Uma final bem temperada, muito interessante e agradável de se assistir. A perda do primeiro set devido ao começo meio vacilante por parte de Igor pesou bastante ao longo do jogo, mas o segundo set apresentou todos os ingredientes que se espera de uma final: emoção e suspense até o último ponto. Para quem pode assistir os jogos, foi um torneio muito bom e com nível bem alto, apimentado pela velocidade de jogo nas alturas de Campos de Jordão.

Destaques finais

O primeiro destaque vai para o local, um verdadeiro oásis no belo bairro de Capivari, centro turístico de Campos do Jordão, sendo que a diretoria do Tênis Clube procurou dar todo o apoio ao evento durante sua realização.

A organização do torneio esteve sempre presente, os horários foram cumpridos e até a chuva colaborou, caindo somente à noite e durante a madrugada.

Outro ponto a se ressaltar, novamente, o ótimo comportamento dos tenistas em relação aos outros, com muito respeito e ética, principalmente na marcação dos pontos e saídas de bola.

Jogadores mais rodados como Ricardo Hocevar, André Miele, Alex Blumenberg, Alexandre Tsuchiya e as jovens promessas como Igor Marcondes, Gustavo Cruz, Gabriel Tumosonis e Gabriel Silva, entre outros, abrilhantaram o torneio com sua presença e o bom tênis apresentado, além de nomes como Fernando Roese, também presente ao evento.

Por fim, a qualidade dos jogos, com ótimas disputas e vários tenistas apresentando variações de jogo, saindo daquela tendência de ficar somente atrás da linha de base, trocando infinitas bolas até alguém errar.

Um evento em nível Future, com ótimos jogos e uma final com um set decisivo emocionante para coroar o torneio.

 

Alex Blumenberg

 

Galeria de Fotos